Mais testes para o biodiesel

Setor de transporte pede novos estudos sobre impacto nos veículos antes do aumento da mistura de combustíveis

Meio Ambiente / 27 de Março de 2025 / 0 Comentários

Em meio a debates intensos sobre o futuro da política de biocombustíveis, representantes de importantes entidades do setor reafirmaram a necessidade de testes técnicos rigorosos antes de se avançar na ampliação da mistura de biodiesel.

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Em meio a debates intensos sobre o futuro da política de biocombustíveis, representantes de importantes entidades do setor reafirmaram a necessidade de testes técnicos rigorosos antes de se avançar na ampliação da mistura de biodiesel.

A manifestação conjunta, encaminhada ao Ministério de Minas e Energia (MME), enfatiza a importância de estudos que garantam a segurança e a qualidade do combustível a ser comercializado, evidenciando preocupações com as experiências anteriores envolvendo o B15 (15% de biodiesel).

Segundo as entidades, o histórico dos testes realizados em 2019, que demonstraram divergências e falta de consenso entre os resultados, reforça a urgência de se estabelecer um procedimento mais detalhado e abrangente.

Participam a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Brasilcom), a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e o Sindicato Nacional dos Transportadores Revendedores Retalhistas (SindTRR).
As instituições destacam que o avanço da política de biocombustíveis deve estar baseado em dados técnicos sólidos e que contemple diferentes condições de uso, desde veículos modernos até frotas mais antigas que ainda operam em todo o país.

Os especialistas ressaltam que a simples conformidade com as especificações técnicas não é suficiente para assegurar a adequação do biodiesel em variadas condições operacionais. “É fundamental que o MME invista em testes transparentes a fim de avaliar o impacto do aumento da mistura em diferentes cenários, sobretudo para cadeias mais longas e para a frota mais antiga ainda em operação. A partir disso, os resultados devem ser públicos e acessíveis a todos os interessados”, afirma um trecho do documento enviado ao ministério.
Essa abordagem visa não apenas aprimorar as especificações atuais do combustível, mas também contribuir para a segurança e a eficiência no uso das biomassas renováveis.
Em consonância com a Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), o posicionamento das entidades reforça que os relatores da matéria no Congresso Nacional “reconheceram, repetidamente, a intenção do Legislativo de requerer a comprovação da viabilidade por meio da realização de testes, o que veio a se materializar no texto final da referida lei”.
Nesse contexto, a atuação do MME é fundamental para assegurar que todas as etapas – desde os testes até a publicação dos resultados – sejam conduzidas com total transparência e participação de todos os stakeholders envolvidos.

A recomendação é que os ensaios incluam a avaliação dos impactos decorrentes de eventuais atualizações nas especificações técnicas do biodiesel.

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